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EUA e Brasil articulam cerco ao crime organizado em primeira reunião bilateral após classificação de PCC e CV como terroristas.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • 8 de jul.
  • 2 min de leitura
Múcio, com Lula e militares: ministro se encontra hoje (8) pela primeira vez, com número 2 da Defesa de Trump (Ricardo Stuckert/PR)
Múcio, com Lula e militares: ministro se encontra hoje (8) pela primeira vez, com número 2 da Defesa de Trump (Ricardo Stuckert/PR)

BOA VISTA - Em um desdobramento estratégico para a segurança na América Latina, integrantes do governo de Donald Trump e o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro, realizaram nesta quarta-feira (8) a primeira reunião bilateral formal desde que Washington classificou as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.


O encontro, solicitado pela diplomacia americana, ocorreu nos bastidores da 17ª Conferência de Ministros da Defesa das Américas (CMDA), na cidade histórica de Cusco, no Peru.


O Alvo de Washington e a Resposta Brasileira

Representando os Estados Unidos, o subsecretário de Defesa para Política, Elbridge Colby, enfatizou o interesse da Casa Branca em fortalecer parcerias continentais para sufocar o crime organizado transnacional, apontando o Brasil como um interlocutor indispensável nessa engrenagem.


Embora o Ministério da Defesa do Brasil não tenha confirmado se as duas maiores facções do país foram citadas nominalmente durante a conversa de bastidores, o pano de fundo do encontro é indissociável da recente decisão de Donald Trump. A designação de PCC e CV como "terroristas" deu superpoderes legais às autoridades americanas para congelar ativos, monitorar movimentações financeiras internacionais e caçar redes criminosas com atuação fora das fronteiras brasileiras.


Divisão de Poderes em Brasília

Apesar do forte aceno de cooperação por parte de José Múcio, o governo brasileiro adotou uma postura cautelosa e institucional, delimitando claramente as linhas de atuação das Forças Armadas:

  • Atribuição Civil: Múcio fez questão de sublinhar que o protagonismo e as políticas de combate ao narcotráfico no Brasil cabem, por lei, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

  • O Papel da Defesa: A contribuição das Forças Armadas brasileiras se concentrará na inteligência, logística e operações de vigilância rigorosa na faixa de fronteira, onde o Exército e a Força Aérea já realizam bloqueios contra o tráfico de armas e drogas.


Além do Tráfico: Agenda Militar em Pauta

A delegação brasileira garantiu que o encontro transcorreu em um clima de "extrema cordialidade" e que há uma convergência clara sobre a necessidade de proteger as fronteiras regionais.


Contudo, para além do foco policial-americano nas facções, a agenda prioritária levada por José Múcio envolveu termos estritamente militares: a ampliação de exercícios militares conjuntos, o intercâmbio de tropas e a troca de experiências institucionais entre o Pentágono e as Forças Armadas brasileiras.


O fórum da CMDA reúne delegações de 34 países e segue como o principal palco de debates sobre cooperação e segurança no continente. Ao longo da semana, o ministro brasileiro deve manter outras reuniões bilaterais com lideranças de Defesa da região.


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