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Entre o Pragmatismo e a Ideologia: Hélio Lopes Lança o 'Bolsonarismo Social' De Olho no Senado por Roraima.

  • Foto do escritor: Hermes Vissotto
    Hermes Vissotto
  • 21 de jul.
  • 3 min de leitura
Imagem Reprodução Redes Sociais.
Imagem Reprodução Redes Sociais.

De olho na disputa eleitoral de 2026, o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), pré-candidato ao Senado Federal por Roraima, oficializou a entrega de um documento com 22 diretrizes que formulam o conceito do chamado "Bolsonarismo Social". A apresentação da proposta foi feita diretamente ao senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acompanhado pelo senador Magno Malta (PL-ES).  


O manifesto busca estruturar uma agenda de políticas públicas voltada para as favelas, periferias urbanas e populações de menor renda, ancorada em preceitos de empreendedorismo, desregulamentação econômica e fortalecimento da propriedade privada.  


No texto, o parlamentar apoia-se em experiências do cenário internacional, como o trumpismo nos Estados Unidos, as políticas conservadoras de Viktor Orbán na Hungria e as medidas de desregulamentação adotadas por Javier Milei na Argentina. A meta declarada é promover a transição de um modelo de dependência assistencial para a formação do "cidadão proprietário e investidor soberano".  


As 22 Diretrizes do Projeto

O documento sintetiza iniciativas focadas na transformação das economias locais e no fortalecimento comunitário:  

  • Combate à Pobreza: Substituição progressiva de auxílios sociais por incentivo ao emprego, empreendedorismo e qualificação profissional.  

  • Regularização Fundiária: Ampliação da entrega de títulos de propriedade urbana e rural para converter imóveis em garantia real de crédito.  

  • Ordem e Coesão Social: Fortalecimento da família, igrejas e associações de bairro na mediação comunitária, mantendo o Estado focado na segurança pública.  

  • Microcrédito: Desburocratização e ampliação do acesso a financiamentos para pequenos e microempreendedores.  

  • Saneamento Básico: Expansão de investimentos em água e esgoto por meio de parcerias com a iniciativa privada.  

  • Zona Franca das Favelas: Criação de incentivos fiscais específicos para atrair empresas e gerar empregos no interior das comunidades.  

  • Saúde Preventiva e Moradia: Foco em melhorias habitacionais estruturais e programas preventivos de saúde nas periferias.  

  • Educação Profissional: Estímulo a cursos técnicos e expansão da educação remota direcionada ao mercado de trabalho.  

  • Trabalhador do Futuro: Inserção de jovens na economia digital e no setor tecnológico.  

  • Segurança Pública: Policiamento ostensivo combinado com conceitos de urbanismo voltados à prevenção da criminalidade.  

  • Interiorização Econômica: Estímulo à migração voluntária de trabalhadores para cidades de médio porte com maior oferta de oportunidades.  

  • Mobilidade Urbana: Projetos de infraestrutura voltados para a segurança e valorização do espaço público.  

  • Investimento Social: Tratamento dos gastos em infraestrutura social como investimento econômico de longo prazo.  

  • Apoio Psicossocial: Participação ativa de instituições religiosas em ações de apoio à saúde mental e acolhimento familiar.  

  • Protagonismo Feminino: Criação de creches comunitárias para mães trabalhadoras e incentivo ao empreendedorismo feminino.  

  • Meritocracia e Liberdade: Rejeição de políticas baseadas em divisões raciais, priorizando meritocracia, liberdade econômica e microcrédito.  


Análise: Contradição Teórica ou Pragmatismo do "Capitalismo Popular"?

A combinação das palavras "Bolsonarismo" e "Social" levanta inevitavelmente um debate na ciência política. Afinal, a matriz ideológica associada à extrema-direita e ao conservadorismo liberal tradicionalmente prioriza a austeridade fiscal, o Estado mínimo e o combate ao assistencialismo estatal. Existiria uma incongruência em propor uma pauta "social" para as periferias?


Sob uma ótica analítica, o projeto não propõe a adoção de um Estado de Bem-Estar Social clássico (Welfare State), mas sim uma releitura da atuação periférica sob a lente do "Capitalismo Popular":

Eixo do Projeto

Abordagem do "Bolsonarismo Social"

Diferença do Modelo Social Tradicional

Desenvolvimento Econômico

Incentivo à propriedade privada, desregulamentação ("Zona Franca das Favelas") e microcrédito.

Substitui a transferência direta de renda via impostos pela inserção individual no mercado.

Rede de Proteção

Transferência do suporte social para igrejas, famílias e associações comunitárias.

Reduz o papel do Estado na assistência social, mantendo-o focado na Segurança Pública.

Inclusão Social

Foco na meritocracia, capacitação técnica e recusa de pautas de gênero ou de ações afirmativas raciais.

Atende a demandas econômicas da periferia sem aderir às pautas progressistas ou identitárias.

Essa estratégia aproxima-se de fenômenos da extrema-direita internacional, como o populismo de direita nos Estados Unidos e na Europa, que buscam atrair a classe trabalhadora de menor renda por meio de um discurso focado em empregabilidade, fé, segurança e valorização da família.


Para o cenário eleitoral de Roraima e para a articulação nacional do PL, o movimento representa uma tentativa de disputa de narrativa nos territórios periféricos, tradicionalmente disputados pela esquerda, oferecendo como alternativa a promessa de prosperidade individual e liberdade econômica.


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