Eixo do Protesto: Por que a Coreia do Norte subiu o tom contra os EUA após a prisão de Maduro?
- Hermes Vissotto

- 4 de jan.
- 3 min de leitura

Enquanto o mundo ainda processa as imagens da prisão de Nicolás Maduro por forças americanas, uma voz vinda de Pyongyang ecoou com uma agressividade que poucos esperavam, mas que muitos analistas já previam. A Coreia do Norte classificou a operação na Venezuela como uma prova da "natureza desonesta e brutal" de Washington.
Para o leitor de Hermes Vissotto, pode parecer apenas mais uma troca de insultos entre inimigos históricos. No entanto, para quem estuda as relações internacionais, esse comunicado é uma peça chave para entender quem são os aliados do "novo mundo" e como eles pretendem enfrentar a hegemonia dos Estados Unidos.
O que diz o comunicado de Pyongyang
Comunicado Oficial de Pyongyang (Tradução Consolidada)
"O Ministério das Relações Exteriores da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) condena veementemente o ato de hegemonia sem precedentes cometido pelos Estados Unidos contra a República Bolivariana da Venezuela.
A captura forçada do Presidente Nicolás Maduro e de sua esposa em solo venezuelano não é apenas um ato de pirataria estatal, mas uma grave violação da soberania e das normas básicas que regem o sistema internacional. Este incidente é mais um exemplo que confirma claramente, mais uma vez, a natureza desonesta e brutal dos Estados Unidos, que não hesitam em usar a força militar para derrubar governos que não se curvam aos seus ditames.
Washington tenta justificar sua agressão sob o pretexto de 'narcoterrorismo', mas o mundo vê a verdade: trata-se de um sequestro político destinado a sufocar a autodeterminação de um povo soberano. O governo da RPDC expressa sua total solidariedade ao governo e ao povo venezuelano e exige a libertação imediata e incondicional do Presidente Maduro e de seus familiares.
A comunidade internacional deve reconhecer a gravidade da situação e levantar vozes de protesto contra a violação habitual da soberania de outros países. Advertimos que tais ações expansionistas dos EUA trarão instabilidade irreversível e que a justiça histórica prevalecerá contra o imperialismo."Por meio da KCNA (agência estatal de notícias), o governo de Kim Jong-un afirmou que a ação militar americana em Caracas é um "ato de pirataria estatal" que ignora completamente a soberania de uma nação. A retórica norte-coreana foca em um ponto central: os Estados Unidos estariam usando sua força para derrubar governos que não se curvam aos seus interesses econômicos e ideológicos.
A "Doutrina da Sobrevivência"
Você pode se perguntar: O que Pyongyang ganha defendendo um país a 15 mil quilômetros de distância? A resposta está na solidariedade dos sancionados.
O Medo do Precedente: Tanto a Coreia do Norte quanto a Venezuela sofrem sanções pesadíssimas dos EUA. Se Pyongyang aceitar em silêncio que os EUA podem prender um chefe de Estado sob a acusação de "narcoterrorismo" ou "ameaça à democracia", eles sentem que os próximos na lista podem ser eles mesmos.
A Aliança dos "Inimigos de Washington": Existe um bloco informal, composto por Rússia, China, Irã, Coreia do Norte e Venezuela, que compartilha informações, táticas de sobrevivência econômica e, principalmente, apoio diplomático para conter a influência americana.
O Direito Internacional baseia-se no princípio da Igualdade Soberana. No papel, nenhum país é "maior" que o outro.
Quando a Coreia do Norte usa o termo "desonesto", ela ataca a justificativa moral dos EUA. Na visão norte-coreana (e de boa parte do Sul Global), os EUA aplicam as leis internacionais de forma seletiva: punem os inimigos, mas ignoram infrações de seus aliados. É esse "dois pesos e duas medidas" que Pyongyang está explorando para tentar isolar diplomaticamente a ação de Washington.
A operação na Venezuela não é um evento isolado. Ela ocorre em um momento de extrema polarização global.
A Resposta dos EUA: Washington mantém que a operação foi legal e necessária para a segurança regional.
O Alinhamento Autoritário: A fala da Coreia do Norte serve como combustível para que outros países também se manifestem, criando uma coalizão de narrativa contra a intervenção.
O Veredito de Hermes Vissotto
O que estamos vendo é o nascimento de uma nova forma de conflito diplomático, onde a Coreia do Norte está defendendo a ideia de que os EUA não devem ter o direito de "policiar" o planeta.
Para nós, cidadãos, o impacto é claro: o aumento das tensões entre essas potências costuma resultar em maior instabilidade nos preços das commodities e uma incerteza constante nos mercados financeiros internacionais.
Acompanhe o Hermes Vissotto: Estamos monitorando os próximos passos da ONU e a possível resposta militar dos aliados de Maduro. A história está sendo escrita agora.

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