Análise Política: A Suspensão do Mandato de Glauber Braga e o Debate sobre o Decoro Parlamentar.
- Hermes Vissotto

- 11 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

O deputado federal Glauber de Medeiros Braga (43 anos) é um advogado e político brasileiro filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Representa o estado do Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados desde 2011.
Partido: PSOL (desde 2015).
Estado: Rio de Janeiro (RJ).
Votação (Última Eleição, 2022): Foi reeleito com 78.048 votos (0,9% dos votos válidos no estado), pela Federação PSOL REDE.
O Episódio da Quebra de Decoro (Confronto com o MBL)
O processo que resultou na suspensão teve origem em um confronto ocorrido em abril de 2024 dentro do Anexo IV da Câmara dos Deputados.
O Confronto: Glauber Braga se envolveu em uma discussão acalorada com Gabriel Costenaro, militante e influenciador ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL).
A Agressão: O deputado expulsou Costenaro com empurrões e chutes das dependências da Câmara.
A Motivação: Glauber Braga alegou que a agressão foi uma reação a insinuações e ofensas dirigidas à sua mãe, Saudade Braga, que estava em situação delicada de saúde. Ele não se arrependeu da ação, justificando-a como defesa familiar.
O Protesto na Mesa Diretora
Às vésperas da votação em Plenário, o deputado protagonizou um ato de protesto que aumentou a tensão política na Casa.
Data e Motivo: Na tarde de terça-feira, 9 de dezembro de 2025, um dia antes da votação de sua cassação, Glauber Braga ocupou a cadeira da Presidência da Câmara no Plenário Ulysses Guimarães. O ato era um protesto contra a decisão do presidente da Casa, Hugo Motta, de pautar a análise de sua cassação para o dia seguinte (quarta-feira, 10).
O Confronto e a Retirada: Glauber prometeu resistir "até o limite das forças", chegando a comparar sua ocupação com a de deputados bolsonaristas em agosto (que não foram retirados à força). A Polícia Legislativa Federal interveio e o retirou à força da Mesa Diretora, resultando em tumulto e roupas rasgadas, com a TV Câmara interrompendo a transmissão.
A Crítica: Após ser retirado, o deputado criticou o tratamento truculento, alegando que houve "dois pesos e duas medidas" na condução de seu protesto em contraste com a leniência dispensada a outros deputados (como Eduardo Bolsonaro, por acúmulo de faltas, ou nos protestos do 8/1, citando a pauta do PL da Dosimetria).
O Processo e a Votação da Suspensão
Etapa do Processo | Detalhes Principais |
Representação Inicial | Apresentada pelo Partido Novo por quebra de decoro. |
Conselho de Ética | Aprovou o parecer pela cassação por 13 votos a 5 (abril de 2025). |
Sessão do Plenário (10/12/2025) | Foi aprovada uma emenda alternativa (apoiada pela esquerda e pelo Centrão) que propôs a pena de suspensão do mandato por seis meses no lugar da cassação, que o tornaria inelegível. |
Resultado Final | 318 votos a favor da suspensão (pena mais branda) e 141 contrários, confirmando a punição de seis meses, mas salvando o mandato e a inelegibilidade do parlamentar. |
5. Análise Ética e Política: A Suspensão como Acordo
O desfecho do caso Glauber Braga, com a suspensão de seis meses, reflete um complexo cálculo político na Câmara:
A Ética do Decoro vs. Punição Proporcional: A maioria dos deputados reconheceu a quebra de decoro (agressão física), mas avaliou a pena de cassação (oito anos de inelegibilidade) como desproporcional diante da motivação (defesa da honra familiar) e em comparação com outros casos de quebra de decoro na Casa.
O Pragmatismo do Centrão: A aprovação da suspensão foi o resultado de uma convergência de interesses. A esquerda votou pela suspensão para salvar o mandato de um aliado. Partidos do Centrão e da Direita votaram pela suspensão por motivos pragmáticos: diante da incerteza de conseguir os 257 votos necessários para a cassação, foi preferível garantir uma punição (a suspensão) do que arriscar o arquivamento total do processo por falta de quórum.
Lista de Votos (Análise): O voto "Sim" pela suspensão uniu a bancada de esquerda/centro-esquerda e uma parte significativa dos deputados de centro e centro-direita. O voto "Não" foi majoritariamente da oposição mais ferrenha e do Novo, que defendiam a pena máxima de cassação.
A suspensão de Glauber Braga por seis meses envia um sinal de que a Câmara não tolera a violência física, mas demonstra uma ética flexível ao aplicar a dosimetria, preservando o mandato de um parlamentar em um acordo de bastidores para evitar o arquivamento e, potencialmente, poupar o próprio capital político da base governista em casos futuros. Sua suplente, Heloísa Helena (Rede-RJ), assumirá a cadeira durante o período da suspensão.

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